Jornalista
A campanha do PT
contra a imprensa reincide em velhos jargões autoritários do passado,
cometendo, desta vez, um erro crasso: o de querer fulanizá-la. O repórter de Veja,
Policarpo Junior, tornou-se o alvo da atual investida. E o que fez ele?
Cumpriu sua
função. Ouviu uma fonte – no caso, Carlinhos Cachoeira -, em assuntos no quais
o contraventor tinha mais informações que a própria polícia. Separou o joio do
trigo e utilizou o que convinha às investigações que fazia.
Qualquer um que
já tenha exercido o ofício sabe que é indispensável ouvir todos os lados
envolvidos numa história. Não importa se a informação está no inferno: terá que
buscá-la onde estiver. O que fará com ela são outros quinhentos.
Policarpo
publicou-a, prestando um serviço público; Demóstenes Torres, o senador,
vendeu-a a um contraventor.
Tim Lopes, o
repórter martirizado pelo narcotráfico carioca, subia os morros e conversava
com bandidos, em busca de notícia. Contribuiu, e muito, para expor ao público o
mapa do crime organizado do Rio de Janeiro e suas conexões.
O crime, porém,
não se faz presente apenas nas favelas e periferias. Há muito, chegou às
instituições e frequenta a Praça dos Três Poderes. Se o repórter quer mapear
esse submundo, será inútil conversar com políticos ficha limpa (que também os
há).
Eles podem apenas
compartilhar sua perplexidade, não informá-lo, já que não circulam no submundo.
Dependendo do assunto, terá que conversar com gente ainda pior que Cachoeira.
O equívoco de
fulanizar a luta contra a imprensa decorre de algo simples: se for comprovado
que o jornalista delinquiu, o órgão para o qual trabalha simplesmente o
demitirá, preservando-se. O mau jornalista passa, mas a imprensa fica.
Supor que
investindo contra esse ou aquele jornalista intimidará a instituição é, acima
de tudo, burrice. Exemplo disso foi o que ocorreu em 2009, quando a imprensa
divulgou a farra das passagens aéreas no Congresso.
Descobriu-se que
diversos parlamentares faziam uso indevido daquele privilégio. Alguns, então,
decidiram contra-atacar, na expectativa de inibir a ação da imprensa, revelando
o nome de jornalistas que haviam beneficiado.
Acabaram
prestando um serviço à própria imprensa, que, ao demitir os repórteres
infratores, mostrou-se desconectada de suas práticas. O mau jornalista passa,
mas a imprensa fica.
Os petistas que
decidiram eleger Policarpo como meliante e a revista Veja como instância
conspirativa apenas melhoraram o currículo de ambos.
Dependendo de
quem acusa e das alegações que faz – é o caso presente -, as acusações
transformam-se em atestado de idoneidade. Policarpo não precisa de defesa.
Sua carreira e o
próprio teor dos diálogos gravados pela Polícia Federal – em especial quando
Cachoeira queixa-se a um comparsa de que o repórter não retribui as informações
que recebe e que já desistiu de o cooptar - o isentam.
Já com seus
acusadores dá-se o contrário, embora tenham razão num ponto: de fato, faz-se
necessária uma CPI da Mídia. Urgente.
Não a pretendida
pelos acusadores do repórter de Veja, mas uma que exponha a rede estatal de
blogs, pagos com dinheiro público, que aparelha a internet, para difamar
adversários e viabilizar um projeto político que começa pela censura aos meios
de comunicação e não se sabe onde pretende parar.
Ou por outra,
sabe-se muito bem.


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