Miriam Leitão
10/05/2012
O Globo
Está nos jornais de hoje: a J&F, holding da JBS, que assumirá a gestão da Delta, acusada de desvios, faria o pagamento com os lucros da empresa. É uma companhia privada, só que 99% dos negócios que têm são com o setor público. E são obras fundamentais. A Delta é a grande empreiteira do PAC, tem obras da Copa e das Olimpíadas. Se a empresa parar de funcionar, o cronograma de investimentos para esses eventos pode atrasar.
A J&F já está em várias frentes de trabalho. Começou na área
de carne bovina, mas foi crescendo para outros segmentos. Cresceu com ajuda do
dinheiro do BNDES, através de empréstimo e, principalmente, aquisição de
debêntures que depois viram capital no grupo. Foi assim que a companhia comprou
várias empresas nos EUA.
A primeira dúvida é: uma empresa que não tem nenhuma experiência
na área da construção pode assumir bem aquela que é a mais importante nas obras
do PAC? A principal empresa controlada pela holding J&F tem o BNDES como
sócio. Ele passa a ser, portanto, sócio numa empresa cuja holding será a dona
da empresa que está muito encrencada na CPI do Cachoeira. Tem muito fio
desencapado nessa história.
O governo, o BNDES e o próprio grupo têm de explicar essa questão
melhor, não só através de notas. Será bom para o país, vai funcionar? O fato de
o BNDES ser sócio não é um complicador? Há muitas incertezas, as dúvidas
permanecem.


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