SÃO PAULO - Após fazer muita pressão pública pela nomeação da
Comissão da Verdade, as entidades ligadas aos ex-presos políticos e às famílias
de mortos e desaparecidos na ditadura militar receberam com alívio e animação
os nomes dos indicados nesta
quinta-feira pela presidente Dilma Rousseff. Os representantes da Comissão de Mortos e Desaparecidos
Políticos e do Grupo Tortura Nunca Mais destacaram o viés jurídico da nova
comissão, já que cinco dos sete nomes são ligados ao Direito.
Diretora do grupo Tortura Nunca Mais, a jornalista Rose Nogueira
contou que estava ao computador, escrevendo uma nota que cobrava da presidente
Dilma a instalação da Comissão, quando viu que as indicações já haviam sido
feitas.
— Todos os sete são pessoas equilibradas, conhecedoras
do assunto. Estou contente de ver na comissão gente da área do Direito. Agora,
espero que a Comissão da Verdade aprofunde as investigações — disse Rose.
Para o grupo Tortura Nunca Mais, além de promover
investigações sobre o período da ditadura, o trabalho da Comissão deve ser
acompanhado pelo Ministério Público Federal (MPF).
— Isso porque os crimes de lesa-Humanidade são
imprescritíveis e, nesses casos, as investigações devem ser levadas à Justiça.
Para a jornalista, não é só de bons nomes que a
Comissão deve ser constituída:
— É preciso que ela tenha um poder de investigação
profundo. É o grande momento de recompor a História, a memória do Brasil.
Ex-preso político, Ivan Seixas, da Comissão de
Familiares de Mortos e Desaparecidos Políticos também felicitou a escolha de
Dilma por nomes do meio jurídico:
— Foi um período de grandes ilegalidades. Esse caráter
jurídico da Comissão é necessário, tem de ter uma centralidade jurídica para
analisar esse período. Achei a nomeação perfeita. São sete nomes de pessoas
competentes e sérias— disse Ivan.
Para ele, que teve o pai assassinado na tortura, o
foco inicial da Comissão deve ser a investigação dos desaparecimentos.
— Mas ditadura não é só morto e desaparecido. É
preciso investigar a extensão que foi criada. É preciso revelar também o
conteúdo dos decretos secretos — apontou Ivan.
O procurador regional da República Marlon Weichert, do
Grupo de Justiça de Transição, que investiga os crimes da ditadura, elogiou a
biografia dos integrantes da Comissão.
— São todos nomes grandiosos. Não há reparo. Todos têm
uma biografia que atende aos critérios da lei que criou a Comissão— disse o
procurador.
Marlon afirmou que o MPF está preparado para
compartilhar informações sobre o assunto com a Comissão.
— É do espírito público a sinergia de esforços—
afirmou.
Fonte: O Globo

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